quinta-feira, 3 de julho de 2008

Roda América na Uol!

Como quase todos sabem, o blog do Roda América foi convidado a ser hospedado pela Uol. O novo endereço é o seguinte: http://www.rodaamerica.blog.uol.com.br/

O Roda América entrará numa sessão chamada "Blogs Legais", onde estão páginas de celebridades ou simplesmente blogs interessantes. Óbviamente não estou na parte das celebridades.

Fico feliz pelo reconhecimento da aventura e da viagem, e agradecido a quem impulsionou tudo isso. Agradeço a Roberta Maia (http://www.robertamaia.com.br/) pela paciência comigo e pela excelente programação do novo blog. A Rodrigo Pinto, meu melhor amigo e Sancho Pansa oficial, pela logo da viagem e mais do que tudo pelo apoio quando poucos acreditaram em mim. Como vou acabar me esquecendo de tantos nomes, somente deixo um grande "Muito obrigado a todos que me ajudaram".

Então, rodem a américa junto comigo! Compartilho tudo com muito carinho.


Ricardo Martins

terça-feira, 20 de maio de 2008

Pé na estrada, companheiros!

Enfim as coisas começam a se ajeitar pro meu lado, e com isso finalmente posso anunciar que seguirei viagem por volta do dia 30 de junho. Contrariando a todas as expectativas, mesmo quando até eu quase desacreditei em mim, deu pra superar mais essa.

Ainda sinto dores no joelho, mas já posso caminhar sem bandagens, e tudo indica que voltarei a correr em duas semanas mais. É fato que a dor vai me acompanhar pelo resto da viagem, mas quem disse que seria fácil? Sei que todos no Brasil andam preocupados com isso, a julgar pelas dezenas de e-mailsque recebo dizendo que não sou o super homem e que talvez seja a hora de parar. Definitivamente estou longe de ser um super homem, porém tenho determinação, planejamento e responsabilidade com as coisas que quero muito. Na ausência de super poderes, utilizo o que tenho de melhor em mim para prosseguir, e não preciso de muito mais do que isso.

Quanto ao meu salário que nunca chegava, perdi a paciência e entrei com uma ação no Ministério do Trabalho boliviano, simplesmente para reclamar pelo que era meu por direito. Inicialmente tive medo de colocar tudo a perder ao fazer isso, até por saber que enfrentaria na corte um dos melhores advogados da Bolivia, com o agravante de não ter grana para pagar um. Na ausência de advogados, peguei emprestado um livro de leis trabalhistas bolivianas e comecei a estudá-lo feito um louco. Tenho a impressão de que depois disso eu até passaria no exame da “OAB” boliviana, e que minha irmã advogada e estudiosa não leia esta barbaridade de um pé rapado como eu. Enfim, o fato é que depois de uma cansativa audiência, com direito a golpes baixos inimaginéveis, consegui refutar as objeções, partir para o ataque e ganhar este estranho e novo jogo legal. Os advogados que me perdoem quanto a provavél opinião infundada, mas este tempo de Bolívia tem me ensinado que a lei normalmente serve como ferramenta do mais forte para coagir o mais fraco, sendo o rico obviamente o ocupante do lado mais forte nesse mundo capilalista metido a besta. Saí da audiência vitorioso, de alma lavada e com alguma ligeira fé na justiça perante a tanto advogado vendido nesse mundo.

Ok, recuperei a grana do salário, mas com isso ainda não daria pra pagar as dívidas que fiz nestes 3 meses esperando a boa fé alheia. Para reverter este quadro, na próxima semana começarei a trabalhar meio período como cheff aqui no hotel e meio período como Consultor de Marketing externamente. Juntando essa trabalheira toda com as horas de treino, dormirei não muito mais do que 5 horas diárias, mas em troca terei a segurança de que meu sonho segue em passos firmes. Para completar a festa, esporádicamente estou dando aulas de marketing na Universidade Católica de La Paz – uma espécie de PUC boliviana – substituindo um professor amigo meu. Em 5 semanas dando aula e trabalhando como consultor, terei grana suficiente pra pagar as dívidas, comprar minha câmara que foi roubada e ainda ficar com uma módica quantia para meter o pé na estrada. Mal posso acreditar em como tudo se ajeitou.

É compreensível que todos pensem que tantas desditas não valem a pena, mas permitam-me contradizer isso, com base a tudo o que tenho vivido e aprendido nesse mundão grande que agora é meu novo lar. Saí do conforto de minha casa no Rio de Janeiro justamente para viver a vida, com todos os seus prós e contras, o que é muito melhor do que esperar que as coisas caiam do céu. Realizo um sonho, o que invariavelmente significa sair da zona de conforto e enfrentar a vida de frente, descobrindo que ela e eu não somos exatamente inimigos. Amo as coisas boas que surgem no caminho, mas meu coração fica faiscando quando enfrento um novo desafio, e com isso vou crescendo e aprendendo a ser alguém melhor. Não posso mais negar que me transformei em um aventureiro compulsivo e feliz com as atrocidades em que meto, mas a vida tem sido muito mais bela e simples enquanto tenho feito o que quero, como quero e com quem quero. Viver bem é sempre uma questão de escolhas, e sou feliz com as que tenho feito.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Mudar o mundo. Porque não?

Hoje ao jogar o lixo fora, me deparei com duas senhoras que aguardavam para recolher as sobras de comida que eu trazia em minhas mãos. Ambas aparentavam pelo menos uns 60 anos de idade, mal tendo energia para carregar tanto peso. Elas aguardaram a minha chegada por mais de duas horas a fio.


Juntei minhas últimas moedas, literalmente as últimas, para comprar-lhes algumas frutas, tendo com isso algum tempo pra conversar sobre o que acabara de ocorrer. Com uma surpreendente naturalidade, uma das senhoras me disse que o lixo que eu trazia em minhas mãos seria sua única refeição do dia, e que ainda dava pra guardar algo para sua neta que acabara de nascer. É claro que não foi a primeira vez que vi gente batalhando pelo lixo, mas desta vez finalmente me dei conta de que isso não pode ser normal nem tolerável. Realmente não entendo mais como seria possível não se revoltar com tamanha desigualdade. Não, as coisas não precisam ser assim. Não enquanto existirem pessoas que compreendam o quanto isso é inconcebível.


Hoje paguei pela comida delas, porém quantos mais como eu seriam necessários para que pessoas como as duas senhoras não tenham mais fome? Mais do que de alimento, precisamos criar a vontade de lutar por uma vida melhor para todos, despertar a consciência de que as coisas são assim também por nossa omissão. Sempre foi muito fácil pensar que a sociedade é injusta e desigual, mas agora vejo que também sou parte disso, apenas por minha conivência. Não adianta dar esmola, é preciso pensar em como fazer a diferença de verdade. Não, não sei o que fazer ainda, tampouco penso que sou capaz de mudar o mundo sozinho, mas quem sabe outros tantos como eu juntos conseguiriam algo de real importância. Longe de mim ser um novo Che Guevara, mas de fato ao fazer viagens tão profundas a gente descobre que alguma mudança substancial precisa ocorrer na sociedade.


Com o tempo descubro o quanto o mundo vai além de meu umbigo, e que algo de muito grande precisa ocorrer para que meus filhos possam ter uma vida ao menos ligeiramente digna. Não penso em armas ou bravatas, apenas em uma ideologia que seja capaz de mobilizar as pessoas para um mundo mais justo. Não é suficiente dizer que há gente morrendo por não ter o mínimo para viver, não se isso ocorre bem distante nossos olhos. Nos livros de histórias aprendi muito sobre as revoluções, porém somente o contato com o mundo me fez perceber a importância de revolucionar a mim mesmo antes de tudo, e se possível convencer aos outros para que façam o mesmo. Então que seja cultivada e exercitada nossa capacidade de indignar-se com o que antes pareceria óbvio, para que finalmente nos demos conta sobre o que pode ser feito para que as coisas não sejam mais como são.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Joelhos rompidos, problemas judiciais e outras bobagens

Grandes problemas novamente, e ainda não faço e menor idéia de como resolvê-los... Dessa vez a força de vontade não vai ser o suficiente, então preciso me reinventar. Enfim, já virou rotina.

Primeiramente, acaba de contecer o que o meu treinador, minha amiga fisioterapeuta e muitos outros previam: Rompi os ligamentos dos dois joelhos. Um belo dia você está andando, quando de repente escuta um “crack”, se contorce com uma dor jamais antes sentida e não consegue mais caminhar. Pois bem, em um belo outro dia acontece o mesmo com o outro joelho... Consultei um fisioterapeuta aqui em La Paz, que me disse que em teoria precisaria operar tudo isso, mas tal feito me deixaria inativo nas pedaladas por uns 6 meses, dos quais eu não disponho. A boa notícia é que pedalar assim não vai me causar perigos graves, somente uma dor insuportável que vai me acompanhar sazonalmente. Sempre ouvi que todo atleta aprende a se acostumar com a dor, e este vai ser o meu mais novo aprendizado.

Outro grande obstáculo que terei de enfrentar será quanto ao recebimento do meu último salário da empresa onde trabalhei como consultor de marketing. Além da previsão de que a grana de fevereiro chegará somente em 21 de maio, há a possibilidade de que meu querido chefe americano resolva pagar meu salário somente mediante a um processo judicial, o que vai me gerar alguns anos de justiça boliviana para ver a cor da grana. Como meu visto de turista na Bolívia acaba de expirar, preciso passar um dia no Peru e voltar para a Bolívia para ter um novo carimbo de permanência, e óbviamente não tenho grana para isso. Pagarei uma multa por cada dia de atraso, e ainda não faço a menor idéia de como resolver esta questão.

Sempre disse por aqui que sabia que as coisas dariam certo, mesmo sem fazer idéia do meio com que isso ocorreria, mas agora a coisa mudou um pouco de figura. Tenho medo, muito medo, e me sinto extremamente inseguro. Preciso de uma idéia genial para poder pagar a minha conta do albergue onde me hospedo, aprender a suportar diariamente a dor no joelho que agora vai me acompanhar por toda a viagem, e ainda por cima aprender a ter paciência para não agir por impulso e colocar tudo a perder. Todos me dizem que este é o momento de ter calma e esperar, mas este nunca foi o meu estilo. Nunca fui um grande atleta, tampouco nasci com dom para qualquer coisa, mas com força de vontade e dedicação aprendi a superar essa desvantagem inicial. Se perco estas duas coisas, preciso encontrar uma nova habilidade em mim. Não, não encontro nada, mas preciso criar uma nova oportunidade para que a nova solução genial venha à galope.

Me olho no espelho e não vejo mais o aventureiro de antes, tampouco o brilho nos olhos que me fazia crer que tudo estava ao meu alcance. Já perdi dinheiro, saúde, meu pai e muito mais, mas sem a auto confiança de que passaria por tudo isso fica mais difícil de passar pelos novos obstáculos. Acho que sair de La Paz vai ser o meu maior desafio desde que iniciei a aventura, pois desta vez luto simultaneamente contra a justiça boliviana, meus joelhos e minha mente, isso sem ter a segurança de que estou preparado para tudo isso.

Me recordo que em minha infância morria de medo das trovoadas, até que finalmente me dei conta de que o prazer de tomar banho de chuva era capaz de me fazer superar o medo. Penso que meu prazer em viver a vida intensamente possa me fazer sair de peito aberto durante as novas trovoadas, das quais eu tanto temia. Cada vez mais recebo e-mails que me dizem o quanto sou incapaz de seguir até o final da jornada, mas ainda tenho a vantagem de saber que somente pessoas óbvias se compadecem com previsões óbvias. Posso ser o que for, mas ainda sei que posso contrariar as expectativas comuns.

terça-feira, 18 de março de 2008

Com o pé na cozinha, literalmente

Antes de tudo, quero pedir a paciência de vocês quanto aos meus erros bobos de português, assim como por meu vocabulário que está ficando cada vez mais reduzido. O que passa é que não tenho com quem falar português já há um bom tempo, por isso sinto cada vez mais dificuldades em encontrar as palavras mais simples, isso quando sem querer não mando um portunhol de meia tigela. Juro que no Brasil escrevia muito bem...por isso peço um pouco de paciência. Bom, dito isso, vamos ao que interessa.

A novidade principal, que pensando bem não é tão novidade assim, é que mais uma vez adio meus planos de saída de La Paz. Por diversas razões, não exatamente emocionantes o suficiente para detalhar aqui, o salário de todos os empregados da empresa onde eu trabalhava foi retido, o que vai me fazer aguardar aqui por um tempinho mais. Com esse último salário vou comprar umas coisas para a Capitu, um nova câmara (sim, roubaram a minha por aqui), e reservar um pouco para os imprevistos até o Peru. Como por aqui terei despesas até que a grana chegue, juntando com as coisas que vou ter que comprar, mais uma vez vou sair com pouca grana, mas todos sabem que isso não é exatamente um problema para mim. Tenho tudo o que preciso abaixo de meu capacete e em cima de meus sapatos, então o resto se ajeita com tranquilidade.

Nestes últimos dias comecei a trabalhar na cozinha daqui do meu hostel, pra economizar a grana de hospedagem e comida. Acho que finalmente estou trabalhando em algo mais de acordo com as minhas expectativas ao sair do Brasil, e confesso que estou me divertindo muito com a simplicidade dos meus novos colegas de trabalho. Outra grande vantagem é que estou aprendendo a cozinhar coisas de quase todo o mundo, passando por pratos asiáticos, europeus e sulamericanos. Pode parecer estranho para alguns o que vou dizer, mas creio que pelo menos uma vez na vida deveríamos experimentar o ato de servir a alguém. É um ato que exige grande humildade, o que não necessariamente quer dizer que se trata de uma relação de inferioridade. O fato é que definitivamente sou um cara mais adepto ao pessoal da cozinha, embora necessite conviver com o pessoal de gravata. Sendo assim, até que eu siga viagem vou dando uma de Cheff em La Paz.

Por enquanto vou seguindo por aqui, caros amigos. Treinando diariamente levantando pesos com latas de tinta, subindo montanha correndo, ganhando peso e etc. Praticamente um Rocky Balboa. rs

segunda-feira, 3 de março de 2008

A recuperação

Depois de um certo tempo, posso dizer com seguridade que estou 100% recuperado do que passou com meu pai e de tudo mais, pronto mais uma vez para seguir em frente. Não, definitivamente não foi fácil, mas a vida está por aí pra ser vivida, então que vivamos.


No auge da tristeza disse que não tinha mais de onde tirar forças em mim pra superar a morte de meu velho, e isso se manteve. Descobri que quando não há mais de onde tirar força, tantos e tantos amigos, familiares e desconhecidos chegam para dar tudo de si para que alguém fique melhor. Assim, sem pedir nada em troca nem nada. Puxa, não me faltaram abraços, amigos, carinhos e palavras de consolo, algumas vezes boas outras cheias de coisas em que não acredito, mas igualmente cheias de um altruísmo inacreditavelmente forte.


Por aqui no meu hostel em La Paz tive uma verdadeira família ao meu lado. Como sabiam que eu não queria subir ao bar para comer, todos traziam refrigerantes, chocolates e sanduíches a todo instante, sendo que traziam exatamente o que sabiam que eu gostava. Como se somente isso não fosse suficiente, o pessoal se juntou pra comprar uma passagem de ida e volta pro Rio de Janeiro, pra poder ir ao funeral. Nem todos por aqui têm muito dinheiro, mas cada um cedeu um pouquinho pra poder ajudar. Agradeci comovidamente, mas não aceitei. Como ateu praticante que sou,penso que meu pai se foi e findo, por isso não há mais seu Batista em La Paz, Rio de Janeiro ou onde quer que seja, por isso não me faria muita diferença estar no seu enterro. Meu pai agora segue comigo, pra onde quer que eu vá. Não em espírito nem nada de místico, mas em minha lembrança, no que com ele aprendi, no que agora por ele viverei.


Agradeço imensamente a todos os e-mails que recebi e a todas as pessoas que estiveram ao meu lado. Galera, com vocês tudo foi muito mais fácil. Cada um ajudou de sua maneira... Não me faltou carinho, apoio, xingamentos pra fazer a gente pegar no tranco, ou simplesmente aquela coisa de “estamos juntos, pro que der e vier”. Claro que também apareceram os já tradicionais internautas que me encheram de conselhos egoístas do tipo “faça isso por nós”, “você não tem o direito de abandonar um sonho” e etc, como se eu fosse um livro de auto-ajuda ambulante. Sei lá, povo, vocês podem me trocar tranqüilamente por um livro do Paulo Coelho, Seicho-no-ye, sei lá.


Creio que não só tenha me recuperado, como agora tenho na morte de meu pai um incentivo extra pra seguir em frente, por isso agora me sinto mais forte do que nunca. Sei o quanto meu velho se orgulhava de minha viagem, e sei exatamente o que ele esperaria de mim nessa hora, então que siga a viagem, o sonho, a vida.


Obrigado, muio obrigado a todos...Não teria conseguido sozinho.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A morte de meu pai, meu herói.


Hoje escrevo em pleno dia mais difícil da viagem, em pleno dia mais difícil da minha vida. Meu pai, que sempre foi meu melhor amigo e meu grande herói, acaba de falecer…


Tenho comigo a foto do último momento em que o vi, enquanto já com toda a equipagem passei antes em seu trabalho e disse “pai, tô indo…”. Nunca tinha visto meu pai chorar, mas dessa vez ele não conseguiu prender. Me olhou com aquele olhos tristes e simples de sempre, mas evitou dizer qualquer palavra. Apenas me abraçou longamente, dizendo finalmente que sentiria minha falta. Meu pai não queria que eu viajasse, mas segui mesmo assim, e sinto que a culpa vem me cobrar um alto preço por minha ousadia. O que passa é que o preço de realizar um sonho está alto demais pra mim, e não sei se desta vez consigo pagar por ele. Não tenho mais força, não mais, acho que desta vez fui pego de jeito.


Sei que celebrei ao máximo meu pai enquanto ele estava vivo. Talvez ninguém mais do que eu tenha dito o quanto o amava, ou tenha estado mais ao lado dele nas piores e melhores horas. No vídeo que fiz para ele no natal, disse tudo o que queria dizer mas esperava um momento especial, porém felizmente percebi em tempo que qualquer momento pode ser especial, e que a vida pode ser curta demais pra se deixar algo pra depois. Disse tudo aquilo porque que o tal momento especial poderia nem chegar antes da minha morte, não da ele.


Até no momento da morte vi o quanto eu era igual ao meu pai...Ele resolveu fugir do hospital pra ver os amigos, e pensei estupefato em quem seria idiota o suficiente pra fazer isso. Pois é, eu... Exatamente por saber que meu pai era tão igual a mim, com ninguém mais no mundo queria compartilhar tudo o que vi, vivi e senti, pois ninguém melhor do que ele saberia o que uma viagem significa pra mim. Agora não há mas pai, e junto com ele morreu aquela vontade de voltar e dizer “você tinha que ter visto isso, meu velho!”.


Acho que nunca senti uma dor tão forte em toda a minha vida. Puxa, cheguei em La Paz e perdi todo o dinheiro, mas já recuperei, depois perdi minha saúde e quase morri, mas estava me recuperando. Mas agora, perder meu pai é um golpe demasiado forte pra mim, justo no meu momento mais fraco. Tive nestes meses as decisões mais importantes da minha vida, e as tomei sem pestanejar. Primeiro deixo um emprego milionário em Nova Yorque, pensando que meu sonho era mais importante do que isso, e fiz o mesmo pensando que meu sonho era mais importante do que um grande amor que encontrei. Mas agora não dá pra pensar que meu sonho é mais importante do que meu pai...Meu pai é uma das coisas mais importantes da minha vida, e poderia largar tudo pra poder dar um longo abraço no meu velho de novo... Nesta viagem perdi meu dinheiro, depois minha saúde, agora um dos meus laços mais fortes, por isso não sei por onde mais posso ser atingido.


Recebo diariamente montões de mensagens de gente que tem o Roda América como um exemplo a seguir, mas sinto informar que dessa vez todos terão que arranjar outro messias. Sempre disse que sou um cara normal, então tenho o consolo de saber que não os decepciono pelo fato de ter avisado antes. Hoje não dá pra ser valente, não dá pra ser herói. Hoje não dá pra ser nada. Tento tirar forças não sei mais de onde, porém não se trata mais de poder seguir viagem, pois apenas quero o minímo de condição emocional para poder sair da cama pra comer algo ou caminhar. Nos piores momentos de minha vida sempre soube o que fazer, mas dessa vez me encontro completamente perdido e sem a menor idéia de absolutamente nada.


Puxa, um dos grandes motivos de seguir em frente foi pra dar orgulho a pessoas como meu pai, e sempre trabalhei muito pra ser um filho digno da educação e do carinho que recebi. Mas agora...de que me serve o orgulho quando não há mais um abraço? De que me serve um sonho quando se vai uma pessoa que amo? Minha cabeça por hora está demasiadamente confusa, mas tenho a ligeira impressão de as coisas não têm valido a pena o suficiente. Trocaria tudo o que vivi e conquistei por alguns segundos mais com o meu velho.


Claro que conservo o mínimo de racionalidade pra ter a noção de que não estou em condições de tomar decisão alguma, mas há a possibilidade de que o Roda América termine por aqui. Sim, acho que até mesmo os sonhos têm limites...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Hepatite, Salmonela e outras bobagens.


Antes dou a notícia de que finalmente encontraram um substituto pra mim no trabalho em La Paz, o que me faria pedalar já no dia 11 rumo ao Peru. Pois é, quando eu já contava os dias pra meter o pé na estrada, eis que ganho a companhia de 3 amigos ilustres, respeitados e inesperados: Hepatite A, Salmonela e infecção urinária.

As três coisas vieram provenientes da alimentação boliviana, que ja disse por aqui que não é exatamente um padrão internacional de higiene. Depois da primeira vez com Salmonela, aprendi a não comer mais na rua e etc, mas mesmo assim continua sendo uma questão de sorte não ficar doente. Imaginem o seguinte: Como quase não existem supermercados por aqui, e quando existem são caros, todos os restaurantes compram carnes, verduras e afins dos chamados mercados populares, então até mesmo um restaurante de luxo já fica com a qualidade de sua comida meio duvidosa. Nestes mercados populares as carnes não ficam no gelo, geladeira ou qualquer coisa parecida, e cortam as carnes com a mesma mão sem luva com que te dão o troco, isso quando não fumam enquanto cortam a carne e etc. Sem contar o chão cheio de lama, o ambiente que fede a urina e o pessoal que espirra em cima da comida e depois te dá. Agora, com essas noções tremendas de higiene, não dá pra pensar que um filho da puta desses vai lavar a mão depois de ir ao banheiro (tirem as crianças da sala, hoje tô puto. Rs).

Pois é, comi uma bomba. O negócio é que como a Salmonela é rencidente ela corria o risco de ser crônica, e também que com ela e mais a infecção urinária eu teria que tomar antibióticos pesados, mas comprometeriam o fígado ferrado pela hepatite. Não me sinto tão mal assim, mas os médicos cismam de dizer que eu preciso de muitos cuidados, sendo que um deles até perguntou se não poderia voltar ao Brasil pra me tratar, ouvindo de minha boca apenas um “muchas gracias por la preocupación” enquanto eu, novo pavio curto do pedaço, me segurava pra não mandar o sujeito tomar bem no meio do rabo gordo dele ou ter um sistema de saúde decente pra me tratar. Tá, tô desbocado e irritado, mas ninguém pode dizer que não avisei...rs

O fato é que amanhã vou ser internado, mas sei que nem tudo está perdido, pois afinal me emprestaram um game boy enquanto isso (com Mario Kart e tudo). Tá, falando sério agora. Avisaram que o tratamento não vai ser nada que vá trazer sequelas ou com procedimentos de risco, coisa muito tranquila, então o pessoal pode ficar despreocupado, de verdade, MESMO. A parte boa disso tudo é que os doutores ficaram impressionados com a capacidade de recuperação do meu corpo, pois há 5 dias atrás eu tinha 3 tipos de Salmonela (de 4 possíveis), e com isso em breve quem sabe teria que operar, mas o meu corpo expulsou 3 e está prestes a expulsar a quarta em um período de tempo nunca antes visto pelo pessoal, e por isso apenas a Hepatite preocupa os caras agora, fora que não há mais riscos de operação nem nada drástico. Confio no meu corpo. Meu problema agora é mais psicológico do que físico.

Tenho recomendação médica de ficar 1 mês sem atividade fisica alguma, justo quando estava com o melhor condicionamento que havia alcançado desde o início da aventura, fora o fato de que vou perder alguns preciosos quilinhos. Com isso tudo vou ter que voltar a pedalar perdendo tudo o que eu conquistei nestes 3 meses de treinamento intenso em La Paz... Puxa, cheguei aqui e perdi toda a grana, comecei tudo do zero e trabalhei duro pra juntar a grana de novo. Quando recupero a grana, começo tudo de novo de novo na parte física! No momento não sou lá um exemplo de força e perseverança pra começar tudo de novo, de novo, porém estou mais do que convencido de que não dá pra ser forte sempre, por isso já sei que isso é apenas temporário. Estou cansado de me recuperar e perder tudo...realmente cansado. Um padre italiano que conheci no Mato Grosso do Sul dizia que não é bom ficar doente longe da mãe, e quem sabe seja somente isso...rs

Tinha muitos planos para a próxima semana, já imaginando o cheiro das montanhas, o vento a correr na face e os olhares puros dos povos no meio do nada, já com meu coração saltitante e os olhos acesos como os de uma criança. Enfim, meus olhos no momento se encontram apenas amarelados devido a Hepatite, mas creio que em breve voltarão com a vivacidade dos aventureiros, com o coração saltitante dos sonhadores que realizam um sonho. Enfim, a boa notícia é que provavelmente conseguirei o que muitos queriam e poucos concluíram: Zerar o modo carreira do Mario Kart.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Trabalho X Sonho

No momento estou em meus últimos dias de labuta pesada em La Paz. Muita pressão, stress e etc devido a uma reunião que haverá em breve com o Ministro de Turismo da Bolívia. Para mim, que esperava simplesmente limpar banheiros por essas bandas, fazer uma estratégia de defesa de marca para o governo se revela uma agradável mudança.

Claro, nem tudo são flores. Tenho trabalhado umas 12 horas por dia, e ainda ido treinar umas 4 horas diárias para poder seguir viagem em breve, trabalhando normalmente por pelo menos umas 8 horas aos sábados ou domingos. Pois é, descobri o estilo americano de trabalho, em que é inadmissível que se tenha qualquer tipo de vida extra trabalho. Imaginem o seguinte diálogo:

- Bom – Digo eu ao meu chefe americano – estou trabalhando desde as 5 da manhã e agora são 8 da noite. Estou saindo para ir treinar, ok?
- Como assim??!! – Diz meu chefe aos berros – Porque já? Você tem um monte de metas a cumprir ainda!!
- Ok, mas são com prazo para daqui a 1 semana!
- Que importa! Se você terminar antes poderemos te dar outras metas mais ousadas. Porque você quer ir? Desmotivação?
- Simplesmente porque sou um ser humano de vez em quando. Não sou uma máquina!
- E quem disse que não?! Enquanto você estiver aqui, será uma máquina quando for necessário!!
- Ok...a máquina aqui está indo, pois além daqui eu tenho um sonho a realizar.
- Se for agora, está demitido!! – Diz meu chefe já vermelho.

Ouvindo isso, continuei caminhando rumo à porta de saída, mas antes virei para um último aviso.

- Ok. Do it! Suas escolhas e suas conseqüências. Volto amanhã e assino minha demissão. Agora te digo que não aceitarei qualquer pedido de regresso, então é bom saber medir os resultados disso.

Dito isso, saí da sala rumo ao meu treino exaustivo de cada dia. Puto da vida, mas assoviando para mentir que estava tranqüilo com a loucura que acabava de fazer.

No dia seguinte voltei calmamente ao trabalho, quando o próprio chefe chega em minha sala para um “papo amigável”, cheio de sorrisos e desculpas. Mais do que nunca sei que sou muito bom no que faço, mesmo que com isso eu me dê certos luxos, tais como ter um sonho. Além de ser mantido no emprego, pedi o dia de folga, só pra ter certeza que meu espaço estava devidamente demarcado.

Saí às 9 da manhã para um passeio de bike, ouvindo bossa nova por todo o dia. Escutar Vinicius de Morais me faz lembrar de como a vida pode ser mais leve, simples e bonita.

domingo, 6 de janeiro de 2008

La Carretera de la muerte - Parte 2

Depois da heróica ajuda dos indios eu pude finalmente seguir viagem, desta vez pelo caminho correto. Como escureceria em mais ou menos 20 minutos, não me restava outra opção senão buscar algum abrigo para a fria noite que chegava, com o agravante de que eu estava sem barraca para acampar.

Sentia muito frio, fome e cansaço, mas esquecia tudo isso ao ver a lua cheia que por sobre a neblina iluminava as gigantes montanhas pelo caminho, dando um tom sobrenatural a tudo. De tão forte que estava o luar, nem mesmo acendi os faróis da Capitu, embora com ambas as luzes a neblina me impedisse de enxergar um palmo a frente de meus olhos. Mas enfim, pouco importava, pois jamais havia visto algo do tipo em toda a minha vida.

Quando o frio já deixava meu corpo ligeiramente dormente, sem que com isso avistasse qualquer coisa semelhante a um bípede pelo caminho, vi dois pares de luzes bem distantes, que vinham de um lugar bem alto. Já meio inconsiente, pensei por meio segundo que se tratava de um disco voador, mas obviamente isso durou apenas meio segundo (fala sério! rs). Eram as luzes de um posto de gasolina, por onde avistava finalmente um par de pessoas que quem sabe poderiam me oferecer abrigo. Já me acostumei com a cara de espanto das pessoas nestes momentos inusitados, com aquele olhar de “que diabos esse cara tá fazendo aqui?”, sabendo que a neblina, meu estado deplorável e a noite fria conferiam a mim um aspecto meio fantasmagórico. Por tudo isso, não poderia esperar inicialmente muita hospitalidade, mas isso foi somente no início. Depois de explicar todas as emocionantes aventuras do dia, o dono do posto topou deixar eu dormir por lá, com direito a sopa quentinha, que foi uma das melhores que tomei em toda a vida. Foi uma das melhores refeições que já fiz, pois enquanto a sopa quente descia garganta abaixo, ia sentindo novamente cada parte do meu corpo já dormente pelo frio.

Depois de acordar totalmente recomposto, me despedi e segui em frente rumo a Coroico, desta vez com tempo bom. Finalmente cheguei à temida “Carretera de la muerte”, que tem o acolhedor nome por ser considerada a estrada mais perigosa do mundo, e não é muito difícil de entender porque: De um lado se vê uma grande montanha, de outro um gigante abismo cheio de pedras ao final. No meio disso estava a estrada onde eu passava, extremamente estreita e cheia de barro e pedra. Como se não fosse suficiente, uma série de quedas d’água molhavam a estrada e deixavam tudo muito mais perigoso. Esta estrada tem a fama de não ter deixado ferido algum em seu leito, já que 100% dos acidentes ocorridos resultaram em morte, e as cruzes que eu via a cada quilômetro me faziam lembrar disso. Como normalmente ocorre em toda a Bolívia, sempre penso que “Tá frio, é perigoso, é difícil que só...mas caramba, como é bonito!”. Tudo o que a Bolivia te toma devido ao esforço assombroso que exige, te dá em dobro em forma de natureza ou gente simples e acolhedora.

Ao final da tarde eu já havia chegado em Coroico, mas isso já não era tão importante assim. Em viagens como esta, mais portante do que o destino final é o caminho que se faz para chegar até ele.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

La Carretera de la muerte - Parte 1

Na pedalada de natal resolvi enfrentar com minha fiel escudeira Capitu a estrada mais perigosa do mundo, “La carretera de la muerte”. Este caminho, que liga as cidades de La Paz e Coroico, reserva muitas aventuras, e exatamente por isso segui por ele.

Tudo começou com uma subida de La Paz até um lugar chamado La Cumbre, que assusta com os seus 4800 metros acima do nível do mar. Além da subida ser extremamente cansativa, o frio se torna cada vez mais insuportável, com ventos que rasgam a face e uma neblina que me impedia de ver 10 metros à frente. Quando cheguei ao pico da montanha, simplesmente esqueci de tudo ao vislumbrar a cidade de La Paz bem do alto, com suas montanhas nevadas e construções fantásticas nas margens de cada morro. Perdi o fôlego, mas felizmente não foi por causa da altitude, com a qual já estou mais do que acostumado.

De La Cumbre em diante seriam umas 3 horas de pura descida, o que teoricamente me daria certa tranqüilidade, mas se não tivesse aventura não seria mais o Roda América!!! Pois bem, vi uma estrada paralela, sem asfalto e cheia de pedras, com uma placa escrita “Desvio para bicicletas”, e foi meu grande erro seguir por ela. Enquanto baixava a sinuosa estrada, apareceram algumas bifurcações sem placas para me dizer por qual caminho seguir, me dando somente as escolhas de retornar ou tentar a sorte. Escolhi a segunda opção. Os que bem me conhecem sabem que não sou exatamente um cara sortudo, por isso depois de seguir montanha abaixo por mais de uma hora, eis que simplesmente me deparo com um rio, sem estrada nem qualquer possibilidade de caminho adiante.

“Ok, voltarei”, pensava eu com meus borbotões, mas ao olhar para trás e ver a montanha que teria que subir percebi que esta seria uma tarefa árdua. Pedras grandes me impediam de subir com a Capitu, então me limitei a carregar minha fiel escudeira lentamente por mais de duas horas a fio. Não conseguia ver quase nada devido a neblina que não dava trégua, apenas me limitando a seguir mecanicamente a estrada, sem poder ver se haveria algum caminho mais curto até o asfalto. Pela quantidade de brumas, parecia que em breve eu chegaria em Ávalon.

17:30, iria escurecer em breve. Peguei a barraca para dormir e recomeçar a subida no dia seguinte, quando vi que uma das peças estava quebrada. Ai ai ai ai ai ai ai ....Com frio, sem ver quase nada, sem barraca, sem qualquer bípede ou sinal de civilização...As coisas começavam a se complicar pro meu lado. Não sei explicar exatamente como isso acontece, mas quando o bicho pega não me dá exatamente uma sensação de medo, apenas fico com uma espécie de “sentido mais apurado das coisas”. Uma calma e um instinto de sobrevivência extremamente apurados se ocupavam de 100% de mim desde aquele instante.

Ao subir encontrei um grupo de índios que caminhava lentamente entre as montanhas, então apressei-me em alcançá-los para pedir informações e ajuda. Apenas um índio que aparentava uns 13 anos falava, muito mal, castelhano (os outros se comunicavam em Aymara), e ele começava a traduzir aos outros o que eu dizia. Depois que o jovem havia dito tudo, aguardei ansiosamente enquanto os outros índios discutiam em Aymara o meu destino. Eis que eles olharam para mim e apenas sorriram amavelmente. Dessa vez não precisei de tradução, pois certas coisas são universais.

O que aparentava ser o índio mais velho separou 3 outras pessoas para me ajudar a escalar uma montanha, que daria em uma estrada asfaltada. A esta altura do campeonato eu já não tinha pernas pra escalar uma montanha carregando qualquer coisa, quanto mais uma bicicleta e mais 40 quilos de equipagem, e os índios perceberam isso e carregaram absolutamente tudo para mim montanha acima, e tenho a impressão de que carregariam até a mim mesmo se eu pedisse. Já habituado aos costumes bolivianos, peguei um pouco de meu escasso dinheiro e ofertei a eles, quando para minha surpresa eles recusaram categoricamente. Os índios sorriram mais uma vez e disseram ao tradutor do Grupo: “Não cobramos ajuda a quem necessita, apenas ajudamos. Este será seu presente de natal, pra recordar o que representa o povo boliviano". Jamais esquecerei esta gente forte, amável e de uma pureza de espírito incompreensível para muitos.

Desta vez também não precisei de tradutor. Apenas dei um longo e emocionado abraço em cada um dos que me ajudou, tentando com este gesto dizer o que jamais conseguiria ser traduzido para qualquer idioma.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Terrorismo brasileiro

Estava eu trabalhando quando Michael, meu chefe americano, me chama aos risos para mostrar a seguinte notícia no New York Times:

“Papai Noel é recebido a tiros no Rio de Janeiro”

- Ei, as coisas estão bem seguras no seu país, hein!! Até o Papai Noel...
- Fazer o que, deve ter gente que não acredita nele por lá.
- Mas imagina as crianças esperando o Helicóptero chegar, quando chegam um bando de traficantes e atiram no bom velhinho!! Onde fica a polícia nisso tudo?

Silêncio....
Ao invés de dizer a verdade, que os policiais morrem de medo de entrar no morro, preferi contra atacar:
- Pelo menos no Brasil não há terrorismo!
- Terrorismo?! Vocês atiraram no Papai Noel!! Além do mais, olha essa parte da matéria:

“ As favelas brasileiras funcionam como territórios independentes, com leis próprias e ausência do Poder público. Os policiais temem entrar nessas áreas, mesmo porque os traficantes possuem armamentos superiores”

Triunfante, Michael me diz:

- Você vai me dizer que isso não é terrorismo?

Fazer o que, meus amigos...durma-se com um barulho desses...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Tensões políticas na Bolívia

Ultimamente a situação tem andado bastante delicada aqui por essas bandas bolivianas, ainda mais quando se vive em La Paz, ainda mais quando se vive a 100 metros do palácio do governo.

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que na Bolívia o buraco é muito mais embaixo quando se trata de política. Aqui este assunto é discutido nos bares, nas casas ou em qualquer lugar, com ardor igual ao de um fla-flu. É normal andar pela rua quando meia dúzia de pessoas, munidas de cartazes e muita revolta, bloqueiam uma avenida e começam a se manifestar, e em alguns minutos outras pessoas se juntam com cartazes improvisados e dão coro ao movimento improvisado. Em menos de 15 minutos, o movimento de apenas 6 pessoas chega a atingir quase 100, no mínimo. Pra quem se acostumou a ficar esperto pra não tomar porrada nos movimentos estudantis no Brasil, foi uma boa surpresa ver que a polícia reagia pacificamente a tudo isso. O grande problema é que as revoltas aqui são tão comuns que o pessoal já meio que se acostumou, e apenas dizem “Ih, mais uma vez pararam a avenida...” e voltam à rotina sem dar muita importância ao que passa.

Pois é, agora coloquem nesse cenário uma série de polêmicas políticas e sociais culminando de uma só vez em um país. A nova constituição foi aprovada (com pontos muito polêmicos) ao mesmo tempo em que outros estados declaram autonomia do governo, com o agravante das tensões acerca da troca de capital de La Paz para Sucre. Junte a isso uma intensa divisão entre brancos e índios, ou índios entre índios, ou altiplano e oriente...enfim, sobram divisões em terras historicamente carentes de unidade. A unidade, como normalmente na América Latina, é imposta pela lei do mais forte ou, mais comumente, do mais rico. A grande questão é quando o povo descobre que não necessariamente as coisas precisam funcionar dessa maneira, e aí o bicho começa a pegar...

De vez em quando aparecem algumas pedras misteriosas que ninguém sabe de onde vem, algumas vezes elas alcançam vidraças, outras vezes pedestres. Por via das dúvidas, a ordem por aqui é de não andar de bobeira pela cidade. O chefe das forças armadas nos pede pra estocar alimentos em grande escala, pois os militares podem intervir não exatamante de forma amigável em caso de revoltas populares. Neste sábado, os mercados estavam cheios de donas de casa comprando todo tipo de coisa, como os americanos que a gente vê na TV quando sabem que um furacão está por vir. Nítido por aqui é que o povo não está de brincadeira, por mais que se fragmente em múltiplas direções.

Começo a pensar um pouco mais seriamente sobre a desorganização da esquerda latino americana. Sobram revoltas e pessoas fortes, falta a organização necessária para que todos gritem em uma só voz. Enquanto toda a direita se une em prol do simples motivo de ganhar mais dinheiro a qualquer custo, vejo uma esquerda fragmentada entre muitas bandeiras, cujos valores são tão grandes quanto suas divisoes. No dia em que os movimentos sociais se unirem sob uma bandeira, poderemos finalmente obter algo definitivamente expressivo política e socialmente.

No meio de toda esta tensão louca está o povo, por vezes ativo e por vezes espectador, porém sempre o mais afetado nestas loucas batalhas de poucos. Os políticos defendem interesses próprios disfarçados de causas populares, o que arrebata uma imensa quantidade de seguidores que apenas são utilizados como massa de manobra. A regra de ouro aqui na Bolívia é encontrar um povo extremamente trabalhador, honesto e disposto a fazer algo de útil por seu país, porém ingênuo ao ponto de acreditar no que alguns “bons samaritanos” lhes dizem em interesse próprio.

Não sou um especialista político e já aposentei minha carreira jornalística, apenas tenho vivido e analisado as coisas como qualquer pessoa por aqui. Vale a pena procurar mais a respeito das tensões na Bolívia, já que a imprensa brasileira praticamente ignora o que aqui parece uma questão de relevância capital. Sugiro que busquem os materiais publicados por uma jornalista chamada Sue Iamamoto, que estão bem fiéis ao que está passando e escritos de acordo com a ótica do camponês boliviano, quase nunca ouvido pelos meios de massa. Ela disse que faria um blog com isso tudo, mas por via das dúvidas utilizem o grande google que tudo pode e tudo vê. Rs

Repenso muito sobre estas questões políticas, e começo a pensar que as coisas realmente podem ser de outro jeito... Já há pessoas dispostas a mudar as coisas, assim como força de vontade para tal. O que falta é reinventar o meio para atingir isso...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

La chica Suiza

Em Uyuni, havia conhecido uma adorável Suíça chamada Jeanine. Na ocasião não ocorreu absolutamente nada, mas depois de muitos papos nos meses seguintes, resolvemos nos encontrar em La Paz. Sempre disse que não falaria de mulheres no blog, mas tudo foi marcante demais para que eu deixe isso em branco.

Como agora trabalho para o Governo, pedi para a secretária ligar para um dos melhores hotéis da cidade e dizer, na maior cara de pau: “Olha, está chegando do Brasil nosso Especialista de Marketing pra prestar serviço ao Ministério de Turismo. Ele vem com sua esposa da Suíça, por isso quer a melhor suíte de vocês. Qual é o desconto que pode ser feito?” Conseguiram para nós uma suíte imensa e cheia de regalias, pagando quase o mesmo que em meu humilde hotel de mochileiros. A recepcionista estranhou ao ver que o especialista em questão mal tinha barba na cara e ainda não havia saído das fraldas, mas no final das contas acreditou em nós de boa, eu acho.

No começo é difícil pensar em compartilhar a vida com alguém de novo, ainda mais depois que se acostuma a fazer tudo sozinho, mas aos poucos redescobri como é bom ter alguém especial do nosso lado. Um dia cheguei muito estressado do trabalho, cuspindo marimbondo e reclamando de tudo, quando chega Jeanine com aquele olhar sutil e intenso que poucas mulheres sabem fazer, se aninha no meu peito com um singelo abraço e diz “Calma, Ricardo...Vamos resolver isso juntos...”. E eis que o panaca aqui simplesmente se derrete, substituindo a cara amarrada por uma inexplicável paz interior. Sempre gostei de resolver tudo sozinho, mas aprendi que tudo pode ser bem mais fácil com coisas muito mais simples, como um abraço.

O complicado é que ela ficaria em La Paz apenas por 6 dias. É como se você fosse ao médico e descobrisse que tinha 1 semana de vida, e por isso aproveita tudo com mais intensidade, não sei se dá pra entender. Vivemos dias muito felizes, sem fazer absolutamente nada de tão especial, apenas vivendo um ao outro. Nos apaixonamos perdidamente, como se por esse breves dias a vida fosse mais simples e fossemos muito fortes, pois agora tínhamos um ao outro.

O grande problema de ser um viajante é que tudo sempre é obrigatoriamente passageiro, incluindo eu mesmo. Os dias passavam e aos poucos nos dávamos conta de que em breve nos separaríamos, para quem sabe nunca mais nos vermos. Ela em breve voltaria para seu país e eu por outro lado não desistiria de meu sonho. Sempre batia no fundo aquela sensação antecipada de despedida, e nenhum abraço era suficientemente forte pra fazer com que o outro não se vá, nenhuma palavra poderia ser dita mais do que no presente ou no pretérito. Se ambos queriam ficar juntos, é bem complicado perguntar porquê tudo tem que funcionar assim. O que passa é que o mundo é muito grande e a vida segue por rumos muito distintos, por isso às vezes simplesmente nos vemos sem muita escolha. Me preparei demais para ter um físico de atleta e um coração de aventureiro, mas os maiores obstáculos da viagem sempre chegam por onde eu menos espero...

Dá pra imaginar como foi o dia da despedida...Lágrimas soltas, abraços infindáveis, beijos emocionados. Quando Jeanine entrou na área do Aeroporto proibida para visitantes, via lentamente seus passos indo pra longe, provavelmente em definitivo. Quando já havia entrado, ela pede ao policial pra voltar até onde eu estava, só pra um último contato. Foi difícil reviver a sensação do último beijo, cheio de lágrimas...Tá, podem dizer que a cena soa como filme Holiwodiano barato, mas algumas coisas simplesmente acontecem sem que a gente pense direito nelas.

Depois da despedida, saí arrasado do aeroporto e entrei no táxi, chorando feito um bebê. Inicialmente o taxista tentou manter a naturalidade e perguntar polidamente para onde eu ia. Respondi gaguejando o meu destino, sem conseguir parar de chorar. Ao ver a cena, ele não se conteve e começou a gargalhar igualmente sem controle, dizendo “desse tamanhão e fica chorando que nem criança, que marica!”. Pois é, digamos que normalmente os bolivianos não são exatamente lordes ingleses...rs No final das contas acabei rindo também durante a viagem toda, e nos divertimos com a situação.

Bom, vou por aqui tentando me reacostumar com minha vida solitária, que por fim eu amo e por isso sei que será mais fácil do que imagino agora. Parto dois corações, um deles sendo o meu, mas em troca ganho a América e seus encantáveis desafios. Por breves segundos de fraqueza me questiono: Uma grande namorada no Brasil, amigos, família, um grande emprego em Nova York, uma paixão arrasadora.... Quantas coisas mais vão testar minha força de vontade? Quantas peças inesperadas aparecerão no caminho?

Sei lá, que venham mais desafios e mais experiências emocionantes. Segui viagem exatamente para isso.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Roda América na Folha de São Paulo!!

Hoje, 03 de dezembro de 2007, saiu a matéria sobre o Roda América na Folha de São Paulo, com fotinha e tudo!! Apesar de não morar em Niterói, e tampouco ter um laptop, gostei da abordagem da matéria.

Ainda não me vejo como dizem na matéria ou nos e-mails que tenho recebido. Sei lá, ainda me imagino como um cara normal que saiu pelo mundo pra realizar um sonho! Rs Minha mãe deve estar adorando ver isso!!!!uahauahauah

Enfim, segue a matéria completa. Espero que gostem:

De magrela pela América
Com uma bicicleta e um laptop, jovem encara sozinho as estradas abertas do nosso continente
Por Luiza Belchior

Troque a moto pela bicicleta e as anotações em papel pelo diário virtual e o carioca Ricardo Martins, 22, se torna o Che Guevara -do filme "Diários de Motocicleta"- dos tempos modernos. Há três meses, largou o emprego fixo, família e namorada pelo sonho de uma viagem de bike pela América Latina.

O resultado da aventura, que Ricardo pretende terminar em Cuba só daqui a dois anos, ele vem relatando, a conta-gotas, em seu blog e videolog.E as histórias que o carioca já coleciona não são poucas: em três meses de viagem, dormiu em acampamento de sem-terras no Mato Grosso do Sul, trabalhou em uma mina de prata na Bolívia, passou dois dias com índios do Pantanal, aprendeu a laçar bois e organizou -e ganhou- um campeonato de sinuca. Tudo isso na companhia de Capitu, como ele batizou sua bicicleta.

Nas entrelinhas das aventuras que relata pela internet, Ricardo posta também lições de vida. Afinal, como ter coragem de jogar tudo para o alto em busca de um sonho? Muita preparação e planejamento, tranqüilidade e até um pouco de medo, ensina o jovem.

"De fato eu tinha uma boa carreira no trabalho, reconhecimento, bom currículo etc. Mas sentia que estava no momento de realizar uma grande aventura", disse o carioca, em entrevista por e-mail.

Ricardo conta que saiu do Brasil, mais especificamente de Niterói, cidade vizinha ao Rio onde ele morava com os pais, com exatos R$ 385,45 no bolso. Por isso, sabia que teria que arrumar bicos pelo caminho para levar a viagem adiante.Só que Ricardo foi assaltado em La Paz, na Bolívia. Chegou a ficar com o equivalente a R$ 10 no bolso até conseguir uma vaga de analista de marketing na Bolívia, posto que ocupará por mais três meses, para conseguir dinheiro e seguir viagem.
"Fiquei com fome, frio e sede, longe de todos os amigos e sem fazer idéia de como superaria mais essa", conta o aventureiro.

"Existem alegrias que fazem chorar ao conhecer tanta gente simples e forte, as descobertas e redescobertas de si mesmo, isso sem contar a incomparável sensação de liberdade que sinto ao pedalar", relata.

Ricardo planeja passar por Peru, Chile, Argentina e Uruguai. A última parada que consta em seus planos é Cuba, onde quer conhecer Alberto Granado, o companheiro do revolucionário Ernesto Che Guevara em uma viagem de motocicleta pela América Latina, relatada em filme por Walter Salles.

E depois? Descubra no próximo capítulo, ou melhor, post.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Pelo retrovisor


Aprendi com o tempo que seguir em frente é algo muito intenso e exige muito foco, por isso nem sempre sobra tempo para olhar pra trás. Na verdade, é menos uma questão de tempo e mais uma questão de medo de ver tudo o que eu deixei, pra no final das contas não agüentar a saudade e voltar...

Hoje tomei coragem e olhei pra trás. Vi uma namorada que me amava e que não mais espera minha volta, amigos de uma vida dizendo que sempre estarão do meu lado, minha mãe escondendo o choro pra não me deixar triste, meu pai machão que não aguentou e chorou, gente que eu mal falava dizendo o quanto se importava comigo. Vejo sorrisos, lágrimas, palavras, silêncios, pessoas que vejo dobrando a esquina sabendo que não as verei por um longo tempo. Olho pra trás e silenciosamente choro, vendo que agora a solidão não é mais uma escolha.

Recordo-me do momento de minha primeira girada de pedal, quando olhava para trás e via cada vez mais minha mãe e minha então namorada se distanciando aos poucos. Sentia vontade de voltar enquanto dava tempo, apenas para dar mais um abraço nas duas mulheres de minha vida, para então seguir em frente mais uma vez. Pensei que eu faria isso repetidamente por dias a fio, por isso apenas virei a cabeça em direção à estrada e pedalei juntando toda a coragem que tinha. Pedalei e chorei, como talvez jamais tenha chorado em toda a minha vida. No primeiro dia a saudade foi insuportável, na primeira semana também, mas depois a mente se educa e apenas olha pra frente.

Como disse em minha última mensagem neste blog, muita gente tem visto em mim um exemplo de força e etc, e escrevo isso agora também para mostrar o quanto posso ser fraco também. Puxa, estou cansado de ser forte, cansado de ser firme, cansado de não me cansar. Aproveito um breve instante para conceder-me o direito de fraquejar um pouco.

Encerro aqui este momento de fraqueza, enxugando as lágrimas e voltando a olhar pra frente, vendo que na verdade tudo não é tão mal assim. Sabe, vejo que perdi muito para em troca ganhar muito mais, por isso vale a pena segurar a saudade pelo tempo que for necessário. Fiz novos amigos, aprendi a ser uma pessoa mais simples, vivo com mais intensidade todas as coisas, vi cenas que me fizeram chorar de felicidade e de comoção... Enfim, vivo coisas novas, o que seguramente vão fazer de mim uma pessoa à altura de tanta gente que deixei para trás.

Amigos, família, todos, saibam que não mais olho para trás para buscar a todos vocês em minha escassa memória. Olho pro lado ou olho pra frente, pois sei que todos estão comigo onde quer que eu esteja e onde quer que eu vá, e que em cada pedalada encurto os caminhos de minha chegada.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Pequeno desabafo...

Tenho recebido quase que diariamente montões de e-mails de internautas de todo o Brasil. Alguns me xingam de coisas sem sentido, alguns me idolatram por coisas igualmente sem sentido, enfim... Embora sabendo que isso tudo faz parte, confesso que não me acostumei com essa história.

Alguns me pedem conselhos amorosos, profisisonais ou até mesmo me perguntam como fazer para realizar o próprio sonho, como se eu fosse uma espécie de sábio da montanha! Gente, sou apenas uma pessoa comum que resolveu ir atrás de um sonho! Não tenho as respostas, nem mesmo as perguntas. Apenas vivo a vida, simples assim.

O Roda América não é uma religião, não creio em Deus. Imaginem que é uma aventura emocionante ao redor da América, ao redor de mim mesmo. Creio que haja tantas distâncias entre o Brasil e Cuba quanto entre eu e eu mesmo. Gosto de me redescobrir, mas isso não quer dizer que eu seja mais feliz ou mais sábio do que qualquer um! Puxa, é tudo mais simples do que parece.

Galera, não é necessário ir pra onde o Judas perdeu as botas pra se encontrar! Esse é o meu sonho, estes são os meus desafios! Vejo iguais desafios em alguém que abre o próprio negócio, tem uma família feliz e etc. Puxa, se mirem nos próprios exemplos e verão que todos somos sábios, filósofos e grandes aventureiros, cada qual à sua maneira.

Não, não vou fundar uma religião, não criei uma nova forma de ver a vida, não faço idéia do sentido da vida, não sei o que é necesário para viver feliz. Pra dizer a verdade sei de muito poucas coisas, por isso as busco com tanta intensidade. Por favor, não tentem me complicar. Sou apenas um cara simples, sem misticismos, sem filosofias mestras de vida ou qualquer coisa do tipo. Não sou guru de ninguém, nem de mim mesmo.

Já que tanto me perguntam sobre filosofias de vida ou porque faço tudo isso, não tenho respostas muito longas: Sonho, planejo e executo, vivendo intensamente cada uma destas etapas.

domingo, 18 de novembro de 2007

Proposta de emprego em Nova York

Como todos sabem, trabalho em uma empresa americana. Hoje o dono da empresa me ofereceu uma proposta para trabalhar na sede, em Nova York... Um baita salário (baita mesmo), greencard depois de 6 meses e etc. Além do mais, é um trabalho nas terras do papas do marketing, o que seguramente dá uma excelente bagagem em nível global.
Pois é...não aceitei...pois em troca teria que jogar meu sonho fora.
Poucos entendem isso, mas tomei esta decisão com muita segurança. Sabe, saí do Brasil em busca de um grande sonho, não para ficar rico! Puxa, me sinto feliz e plenamente realizado, e isso não é graças ao dinheiro, mas sim ao fato de que estou realizando o meu sonho.
Mãe, pai, família, desculpas...sei que posso ter decepcionado vocês ao deixar de optar por um futuro aparentemente tão promissor, mas sei que vocês conhecem o filho que tem, e por isso sabem que eu não teria outra atitude. Entre o dinheiro e um sonho, fico feliz por ter escolhido a segunda opção, e sei que um dia terão orgulho de mim por ter feito isso...
Sei que receberei vários e-mails, com metade das pessoas dizendo que eu sou um idiota sonhador, outra metade dizendo que isso é super legal e que esta história daria um filme. Sinceramente acho que os dois lados tem razão em parte, mas sempre digo que detesto rótulos. Penso apenas que sou alguém que busca estar bem consigo mesmo, e nada no mundo para essa sensação...


Penso que o separa sonhadores de utopistas é o foco e o esforço constante, por isso sei que consigo chegar onde quero, mesmo que para isso eu perca oportunidades como essa...

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Casa & Vídeo

Sei que normalmente minhas postagens são para descrever aventuras, mas agora faço uma pausa simplesmente para agradecimentos. Amigos, vocês foram e são muito importantes para mim, e espero com esta mensagem retribuir um pouco de tudo o que vocês fizeram por mim.

Fico feliz em ter trabalhado aí com todos. Agora que estou aplicando meus conhecimentos em outros mercados e outras empresas, vejo o quanto o meu aprendizado por essas bandas foi fundamental para mim. Me ensinaram tudo o que eu precisava sem me pedir nada em troca, além de aplicação e pratica depois. Quando eu estava dando consultoria em Uyuni e em Potosí, apliquei muito do que aprendi com vocês sobre como lidar com pessoas, e digo que depois disso me consideraram quase um genio por aquí. É claro que apliquei algunas cositas que eu mesmo criei (depois conto, muitos novos conceitos legais), mas pude conferir de perto o quanto a C&V utiliza ferramentas modernas e perfeitamente aplicáveis ao dia-a-dia. Sim, as politicas de RH da C&V sao bastante avancadas, e agora tenho mais bagagem para afirmar isso com mais propriedade. Puxa, eu estava mais capacitado do que imaginava.

Sabe, vocês mal imaginam o quanto foram e são importantes para mim. Por essas bandas amarelas aprendi muito, vivi feliz, formei grandes amigos…o que mais eu poderia querer? Com certeza seguirei como um pequenino Guerreiro Amarelo pelo mundo, pois o que vivi aí nao sai da pele e da mente tão facilmente.
Não satisfeitos em contribuir comigo por tantos anos, após a minha saída ainda obtive muito carinho de todos! Sempre há alguém perguntando se eu preciso de algo, querendo saber se eu estou bem e etc...Fico mito emocionado com isto, mesmo. Ainda fico me perguntando como posso retribuir a tanta coisa que tenho recebido de vocês.

Amigos, deixo aqui o meu sincero MUITO OBRIGADO!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Videolog

Todos devem saber que algum , ahn...f'ã...pegou a minha senha do videolog e resolveu apagar todos os meus vídeos. Agora já postei tudo de novo, pois tinha feito um backup, mas peco desculpas pelo sumiço temporário dos videos.

Coloco abaixo o texto que fizeram sobre mim (ou sobre o Roda América, sempre me confundo com esses dois personagens. rs) no blog da equipe do Videolog. Nenhum dos fatos decorridos de fato aconteceu (antes que todos mandem mais e-mail preocupados e etc. rs), mas vale pela grande criatividade e boa forma de escrita do autor.

Segue o texto:

É isso que eu falo, é melhor ser um covarde vivo do que um herói morto. Vocês devem lembrar do nosso estimado Ricardo, que decidiu largar tudo e ir passear de bicicleta pela América do Sul, pra voltar e a) escrever um livro de auto-ajuda sobre “meditar pedalando”, b) fundar uma religião ou c) iniciar uma série de palestras sobre o tema “O monge e o ciclista: pra aguentar sete horas sem sair de cima de um selim, só sendo monge mesmo”. Então, ele nos enviava regularmente seus vídeos por terras nunca dantes pedaladas. Porém, o malandro resolveu dar uma passadinha pela Venezuela. Aí a coisa azedou: o William Wallace tupiniquim foi se meter a besta e não só participou como organizou, enchou as bolinhas azuis e brancas e comprou rolos e rolos de serpentina para uma passeata contra o Hugo “foi sem querer querendo” Chavez. E lá já sabe como é, o coro comeu o pau cantou. Botaram o rapaz no pau-de-arara, deram choque em partes menos pudendas de sua nobre anatomia,e ainda confiscaram seus vídeos, o obrigando a retirá-los do nosso site. Porém, sob promessas de não fazer mais piadas com o sobrenome do ditador cucaracha comparando ele com o personagem do SBT, o rapaz foi liberado. Os vídeos haviam sido apagados, maaaas, com bom morador de país que já teve ditadura, ele escondera um DVD com o backup dos vídeos em uma parte, digamos, obscura e de difícil acesso da sua ainda não tão mais nobre anatomia. E depois dessa epopéia, ele está de volta! Dizem por aí que ele agora anda com bottons e camisas pró-Chavez, mas são notícias ainda não confirmadas. Sabe como é, cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça. E ele tá pensando também em comprar um pendrive pequenininho. Deve doer menos pra esconder, caso ele queria dar uma passada em Cuba…



para detalhes, segue o link do blog da equipe do Videolog:
http://videolog.uol.com.br/blog/?user=blog